domingo, 26 de fevereiro de 2012

Combatendo o Bullying: práticas docentes de prevenção e enfrentamento à violência estudantil

por Dennis de Oliveira Santos

Resumo
Esse artigo pretende apresentar uma discussão teórica que possibilite fundamentar práticas pedagógicas que auxiliem o professor no combate e prevenção à violência escolar (o bullying). A partir da implementação de práticas, tais como: o diagnóstico de conflitos através de questionários, o diálogo com vítima e agressor, a punição dos alunos violentos e o encaminhamento a outras autoridades (escolares e policiais) de casos mais graves; o educador exerce ativo papel de vigilante de comportamentos agressivos que desestruturem a harmonia necessária para o convívio de adolescentes e crianças nas escolas.
Palavras-chave: bullying, escola, professor, violência escolar.

Abstract
That article intends to present a theoretical discussion that makes possible to base pedagogic practices that aid the teacher in the combat and prevention to the school violence (the bullying). Starting from the use of practices, such as: the diagnosis of conflicts through questionnaires, the dialogue with victim and aggressor, the violent students' punishment and the direction to other authorities (school and you police) of more serious cases; the educator exercises I activate watchman's of aggressive behaviors paper that finishes the necessary harmony for the adolescents' conviviality and children in the schools.
Key-words: bullying, school, teacher, school violence.

Considerações iniciais
As diversas formas de violência na atualidade têm cada vez mais assolado a sociedade brasileira. Seja ela forma física ou psíquica, este fato social manifesta-se em vários aspectos e envolve atores (ora vítimas, ora agressores) de todo tipo de condição cultural ou faixa etária.

Ao observar mais de perto este fenômeno depara-se com a problemática de que a população juvenil e infantil tem sido um público freqüentemente praticante de atos de agressão e hostilidade dentro do ambiente escolar. Situação social esta que tem merecido uma atenção especial de profissionais de diversas áreas (sociólogos, pedagogos, psicólogos, etc) tamanho a proporção que tem tomado nas instituições de ensino do país.
Essa violência entre crianças e adolescentes no ambiente estudantil é conhecido pelo termo inglês de Bullying. Este conceito compreende todas as formas de ações agressivas (tanto intencionais como repetitivas) que ocorrem sem motivação evidente e adotadas por um ou mais estudantes. Esse ato de violência ocasiona como conseqüências as suas vítimas o sofrimento e a angústia provenientes da relação desigual de poder com o agressor (CONSTANTINI, 2004).

O Bullying já é um problema de proporção global e o mau comportamento juvenil compromete sobremaneira a vida do jovem agredido. Seu aprendizado, seu convívio social, sua saúde física e emocional são abalados e o mesmo, ao sentir-se excluído acaba desenvolvendo medo de retornar as dependências escolares. As conseqüências desse desarranjo social assolam não só o período de atividade estudantil da pessoa que foi agredida, mas influi como trauma psicológico até em a vida adulta.

Diante dessa questão que atinge todas as escolas e tem crescido consideravelmente no Brasil, o sistema de ensino nacional (tanto na esfera pública quando nas particulares) deve elaborar ações e programas que reduzam a incidência deste fato.
É neste contexto que o professor torna-se o principal agente de combate ao bullying ao possuir a capacidade de desenvolver estratégias entre seus educandos para minimizar a violência em sala de aula. É evidente pelo papel desempenhado que educador é instrumento primordial para a implementação de atitudes que reduzam as agressões – priorizando a conscientização geral, o apoio as vítimas, punindo os agressores e etc.
Diante da relevância deste tema para o aprofundamento de práticas pedagógicas, o presente trabalho possui o objetivo de elaborar uma reflexão teórica acerca das práticas que o professor deve adotar para prevenir e combater o fenômeno do bullying. Artigo este que será argumentado pelas teorias e obras vigentes sobre o tema discorrido.
Baseado na metodologia e nas teorias científicas oriundas da pedagogia (FREIRE, 1979) e da sociologia da educação (FERREIRA, 1993; MANNHEIM, 1974) propõe-se contribuir para o enriquecimento das práticas que o educador pode investir em seu ofício. Tem-se como a finalidade de contribuir reflexivamente, auxiliar o professor a partir de uma reflexão pedagógica de como se deve lidar com a violência estudantil.

O Conceito de Bullying
Antes de estabelecer as práticas convenientes ao combate a violência escolar é necessário um aprofundamento teórico sobre a caracterização do conceito de bullying. Para isso, um pequeno estudo bibliográfico auxilia numa conceituação científica sobre o tema.
A palavra bullying é um termo de língua inglesa adotada em muitos países para definir os comportamentos agressivos e anti sociais no âmbito escolar no qual um ou mais alunos possuem o contínuo e consciente desejo de maltratar ou colocar um colega sob tensão (FANTE, 2005; CAVALCANTE, 2004).

Alargando a definição do conceito, esta palavra pode ser considerada como uma série de comportamentos ligados a agressividade física, psicológica ou verbal. Pode ser qualificada como uma ação transgressora por parte de jovens que intimidam vítimas que o mesmo elegeu. Sobre essas posturas, pode-se definir teoricamente o conceito de bullying da seguinte forma:

Já a expressão bullying corresponde a um conjunto de atitudes de violência física ou psicológica, de caráter intencional e repetitivo, praticado por um agressor contra uma ou mais vítimas que se encontram impossibilitadas de se defender. Seja por uma questão circunstancial ou por desigualdade subjetiva de poder, por detrás dessas ações sempre há um que domina a maioria dos alunos de uma turma e “proíbe” qualquer atitude solidária em relação ao agredido (SILVA, 2010, p. 21).

Sendo assim, a intimidação psicológica, a violência física e a imposição de vontade própria acima de qualquer custo são estratégias adotadas pelos praticantes de bullying com a finalidade de manter as vítimas sob seu domínio e impor sua autoridade no contexto que é praticado a violência. Esse abuso de poder, além de menosprezar as pessoas que são alvo de agressão, também acaba desrespeitando todos os limites impostos pelas autoridades escolares.

Agindo sozinho ou coletivamente o jovem violento comete ações, tais como: colocar apelidos, ofender, discriminar, excluir, perseguir, assediar, amedrontar, humilhar, chutar, socar, empurrar, isolar, roubar, etc. Enfim, comete-se uma série de atos violentos (tanto físico quanto psicológico) para prejudicar sua vítima. O bullying ocorre de duas formas: a direta (agressões físicas em geral) e a indireta (disseminação de rumores desagradáveis e exclusão do grupo). Ambas são extremamente prejudiciais a vida psíquica do jovem que sofre na mente e no corpo a dor de ser menosprezado.
Sem dúvida, essa problemática já alcança níveis de preocupação mundial e estudos no Brasil apontam para o alarmante fato de que os casos de bullying registrados no país entre os anos de 2002 a 2006 aumentaram de forma preocupante de acordo com os órgãos governamentais (DOPP, 2006).

A Postura do Professor Diante do Bullying
Em sala de aula, diante da posição e importância fundamental que o discurso professoral exerce sobre o comportamento dos alunos, torna-se notório que o mesmo exerça voz ativa no sentido de coibir práticas de violência entre seus aprendizes. Deve-se sempre estar atento para coibir posturas inadequadas para o ambiente de aprendizado.
Pois, o ato de educar não resume em ministrar conteúdos teóricos, mas também na orientação das crianças e jovens afim de desenvolvê-las em todos os campos de suas vidas. Deve-se incutir em suas mentes a perspectiva de atitudes coerentes com a ética e a solidariedade em relação ao próximo. Infelizmente, apesar de toda essa responsabilidade de caráter cívico, “(...) a maioria absoluta não está preparada para identificar e enfrentar a violência entre seus alunos” (SILVA, 2010, p. 162).
Para reverter essa ineficiência, as instituições escolares necessitam capacitar seus profissionais para que os mesmos sejam capazes de identificarem, diagnosticarem e intervirem adequadamente em cada caso de agressão ao seu redor. Somente cientes das suas atribuições e competências os educadores cumprirão satisfatoriamente o seu papel.

A luta antibullying inicia-se quando o professor abandona a postura de marasmo e omissão frente aos conflitos estudantis e começa a refletir sobre meios para prevenir a problemática (CIDADE, 2008; SILVA, 2006). Não existem soluções simples, pois trata-se de um complexo problema e de múltiplas causas. No entanto, existem algumas estratégias tomadas por parte do docente para o eficaz combate da situação descrita.

A primeira ação do professor é identificar a existência do comportamento bullying em sala de aula. Para isso, deve-se observar essa conduta a partir de alguns critérios que a diferencie de outras formas de violência. Se o educador perceber a permanência de critérios abusivos no comportamento dos alunos, tais como: repetidas ações contra a mesma vítima em longo período de tempo, desequilíbrio de poder entre agressor e agredido e ausência de motivos que justifiquem a violência; eis aí os sintomas claros de bullying que deve ser considerado típico diagnóstico do problema (OLWEUS, 1998).

Para caracterizar os atos repetitivos de violência é fundamental observar o sentimento de
medo que se torna constante na vida da vítima, já que a mesma sempre imagina que os ataques serão repetidos. Em função disso, será evidente a percepção do indivíduo comportando-se de forma ansiosa, insegura, angustiada, tensa e constrangida de fazer qualquer coisa ao temer ser alvo de gozação dos colegas. Serão rotineiros o silêncio contínuo e o isolamento do agredido, o que lhe causará desajustes psicológicos.

O desequilíbrio de poder entre vítima e agressor pode ser qualificado pela ótica docente a partir do momento em que o jovem ou criança agredida não consegue defender-se (o que independe de sua estatura física ou idade). Ela estará exposta ao constrangimento público, a vergonha e inserida num ambiente de ataques maldosos e muitas vezes sutis.
Dando prosseguimento nessa estratégia inicial de identificação dos atores que exercem papel no palco da violência escolar, o próximo passo é o de caracterizar o perfil do agressor para que seja advertido e penalizado por suas infrações. Estes sujeitos são normalmente possuidores de grande força física que serve para intimidar os colegas; possuem postura arrogante, prepotência e estão sempre aptos a iniciarem confusões. Suas práticas de violência são marcadas pelo uso de palavrões, apelidos, menosprezos e agressões físicas em geral (MOZ, 2007).

Para facilitar esse mapeamento de um conflito nas quatro paredes da escola existem algumas estratégias que facilitam a identificação desses atores. Uma medida relevante é a aplicação de um questionário com todos os alunos da instituição com vistas a avaliar o que os mesmos pensam acerca da temática (CONSTANTINI, 2004).
Na aplicação dessa atividade, apenas um texto deverá ser apresentado com os conceitos sobre bullying com o objetivo de esclarecer e facilitar a resolução das questões aos entrevistados. Então, a partir da captação das respostas será possível desenvolver o perfil da incidência e as conseqüências advindas da violência cometida.

Com os resultados em mãos e ciente do que representam, o corpo docente de forma unificada deverá ser incentivado a discutir e definir as estratégias para sensibilizar a atenção dos seus aprendizes ao problema. Por parte do professor pode-se desenvolver palestras educacionais de prevenção, convidar os pais a se inteirarem da situação (tanto das vítimas como dos agressores), punir os culpados, diagnosticar e encaminhar os casos aos seus superiores.

A aplicação de atividades em forma de redação, instante em que o aluno é estimulado a narrar o sofrimento vivenciado, além de oficinas temáticas em grupo contribuem significativamente para a auto-reflexão e a solidariedade de todos em relação ao bullying.
O uso de práticas lúdicas como o teatro possibilita que todos os alunos a desempenharem o papel de vítimas e agressores, o que lhes darão a real dimensão de como isso pode ser prejudicial a qualquer pessoa. Essa ação educativa dinamizada em grupo teatral abre a possibilidade de representação e envolvimento através da encenação dos atores e intervenção do público que assistirá, levando os participantes a compreenderem de maneira mais profunda como vivem as vítimas de "bullies" (BEANE, 1998).

A leitura de matérias jornalísticas que tem como pauta a violência escolar propicia aos professores a abertura de um debate que alarga a reflexão dos alunos sobre o problema. A partir de matérias retiradas de jornais ou da internet, o educador gera um ambiente ideal para a discussão sobre o assunto, mostrando que aquilo que pensam ser uma simples brincadeira pode trazer sofrimento e desdobramentos seriamente negativos para o colega que está sofrendo com apelidos, gozações ou agressões.

Outra importante ação que pode ser efetivada é a formação de um grupo multidisciplinar para o diagnóstico e intervenção no problema. Esse organismo dentro do colégio deve ser composto por representantes de todos os segmentos da comunidade escolar, incluindo professores, funcionários, alunos e pais. Com base nas informações existentes sobre a realidade percebida por seus membros e com o auxílio dos dados da pesquisa, pode-se definir coletivamente através de discussões a estipulação de objetivos e metas a serem alcançadas. Devem-se definir as ações a serem priorizadas e as táticas a serem adotadas. Tendo formado esse grupo as diversas opiniões devem ser recebidas com a seguinte preocupação:

As propostas definidas pelo Grupo de Trabalho poderão ser submetidas a todos os alunos e funcionários, permitindo-se que sejam dadas sugestões sobre os compromissos e ações que a comunidade escolar deverá adotar para a prevenção e o controle do BULLYING (NETO, 2003, p. 9).

Dessa forma, a definição da relação final dos compromissos e prioridades deverá ser feita em assembléia geral com a presença de todos os alunos, professores e funcionários ou, apenas, pelo Grupo de Trabalho. Ações coletivas que produzirão um aprofundamento das resoluções do problema e definirá os limites para que ela aconteça.

O uso de palestra motivacional que incentive os pais a serem parceiros no combate ao bullying em seus lares e a apresentação dos dados do problema existente no âmbito escolar é outra boa alternativa. Uma vez finalizada a pesquisa e tabulados os seus dados, visa a motivar pais, alunos, professores e funcionários a implantar um programa de enfrentamento ao Bullying. Através de palestras com profissionais experientes no assunto como psicólogos e pedagogos pode-se chamar a atenção dos responsáveis para os seguintes indícios que seu filho/aluno pode estar sendo alvo de Bullying:
• Baixo rendimento nas notas escolares.
• Não querer ir a aula / simular enfermidades físicas / medo / pedir para ir para outra escola.
• Pedir constantemente para ser levado à escola.
• Voltar do colégio machucado ou com pertences rasgados.
• Mudança de comportamento em seus hábitos diários / depressão / baixa auto-estima.
• Evitar falar sobre o assunto quando questionado.
• Pesadelos / insônia ou sono conturbado.

Sua execução deve ser amplamente divulgada e a problemática deve ser encarada como prioridade absoluta. O uso de uma literatura especializada indica que o ideal é a aplicação aos alunos de 5ª a 8ª séries tal tipo de abordagem. Os professores, com o apoio dos pais, podem conseguir detectar os problemas e também demonstrar a estes responsáveis o desgaste emocional com o resultado das várias situações próprias do bullying. Além disso, o evento abre espaço para a discussão de ações para reverter o problema. Por fim dessas ações, tomar algumas outras iniciativas preventivas como o aumento da supervisão do recreio e da saída da escola são medidas inteligentes.

Entretanto, passado essa etapa de diagnóstico da questão supracitada, quando a violência está internalizada no seio estudantil, de que forma o profissional da educação deve proceder no intuito de amenizar os conflitos existentes? A resposta a esta indagação está no ato de abordar o assunto de forma interpessoal com os supostos envolvidos.

Porém, nesse diálogo o educador deve imprimir um tom de fala puramente racional e pedagógico, não permitindo a possibilidade das emoções influenciarem as suas atitudes e intenções. Isso deve ser uma regra nunca perdida da perspectiva de quem a executará. Pois, em algumas ocasiões constata-se que:

Geralmente nossa atenção se volta às vítimas e nossa indignação aos agressores, mas temos que entender que ambos estão em sofrimento e necessitam ser compreendidos e orientados a construir uma auto-imagem positiva, que lhes permita sair da posição de vítima e agressor (FANTE, 2008, p. 109).

Além da posição por parte do docente em relação ao agressor, a qual é imprescindível a correção e responsabilização por seus atos (o que serve de exemplo a todos), necessita-se lhe compreender. Esse olhar vai de encontro a situação comportamental que consiste em constatar que a provocação e intimidação se encontra em alguém com dificuldades, problemas, pois este comete essas ações como forma de resolver seus problemas e chamar atenção a sua falta de valoração. O aluno violentador defende-se de conflitos pessoais atacando o próximo.

O professor deve ouvir atenciosamente a vítima e depois o agressor, sempre disposto a ajudar. Deve oferecer segurança ao agredido para que sinta-se a vontade para narrar livremente os sentimentos e limitações de sua experiência. O mesmo deve ser efetivado com o lado oposto tentando captar os fatores motivacionais que o leva a atitudes degradantes e violentas.

Em todo este processo de diálogo é fundamental ser firme em tudo que é dito e mostrar claramente as conseqüências do comportamento inadequado do agressor. Um atendimento individualizado e as devidas orientações e punições muitas vezes são eficazes para que os jovens cessem seus ataques. Existe aí a possibilidade do indivíduo refletir sobre as conseqüências de seus atos. Porém, o monitoramento dos casos é importante para coibir a reincidência do fato.

E se essa intervenção não surtir efeito, como deve-se proceder? Quando a violência é contínua é necessário ir além do diálogo e buscar o auxílio de outros profissionais (coordenadores, diretores, psicólogos, assistentes social) ou instituições (conselhos tutelares, secretarias municipais e estaduais de ensino) voltadas a proteção da criança e adolescente. É relevante a ajuda de um conselheiro tutelar, o qual orienta os praticantes de bullying e seus familiares a partir das diretrizes legais oriundas do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.

A problemática deve ser inicialmente resolvida em âmbito escolar por meio de ações pedagógicas: haverá a aplicação de penas ao culpado, previstas pelo regimento interno da escola, seguida de uma orientação educacional. Se essas ações forem esgotadas e não houver resolução do conflito deve-se encaminhar o agressor ao conselheiro tutelar. Em ocorrências extremamente graves, onde existem lesões corporais e difamações morais, o professor pode orientar os pais das vítimas a fazerem um boletim de ocorrência em uma delegacia.

Deve haver uma tomada de atitude dos profissionais do ensino para que a escola não seja omissa diante do bullying. Em situações em que o aluno venha armado para o colégio é obrigação do professor solicitar junto à direção da escola a presença de policiais para reverter o problema. Tudo que acontece deve ser registrado por escrito numa ficha individual do aluno e encaminhado as autoridades policiais.

No geral, a competência que cabe a organização escolar e a seus funcionários é a capacidade de apurar as responsabilidades, a aplicação de penalidades e o encaminhamento (quando necessário) de alunos a autoridades fora do âmbito estudantil. Ações essas que devem ser uma preocupação constante nas práticas diárias de quem ensina.
Nesse processo, cabe ao educador uma postura que concretize a solidariedade e humildade entre os alunos, tendo ações que orientam e punem quando haja necessidade. Pois, “(...) se uma virtude pode ser ensinada, é mas pelo exemplo do que pelos livros” (FANTE, 2008, p. 115).

Considerações Finais
A partir da discussão teórica argumentada no presente artigo e diante das informações discutidas influi a constatação de que o professor é instrumento primordial na prevenção e combate da violência escolar (o bullying) praticado entre crianças e adolescentes.
Ao invés de uma perspectiva de silêncio e omissão, o educador deve desempenhar um papel eficiente para resolver o problema. Primeiramente conscientizando da existência do conflito seguido da fiscalização e controle dos fatos ocorridos na escola. Nesse ambiente, existem algumas práticas muito eficientes na diminuição de agressões.

Utilizando o mapeamento do bullying através de questionários e um coerente diálogo é possível incutir nos jovens a tomada de consciência de suas ações e sentimentos, passando a se valorizarem mais e a desenvolverem a visão de respeito em relação ao próximo.
Além disso, em casos extremos e de violência contínua, junto da punição o educador pode encaminhar os jovens violentos a autoridades extra-escolares (policiais e conselheiros tutelares). Ele deve garantir a segurança dos alunos com penalizações e até encaminhamento policial em casos críticos, tais como o porte de armas e lesão corporal.

A escola não é um local apenas de ensino formal, mas também é instituição propiciadora de formação cidadã. Desse modo é imprescindível que o docente adote estratégias de intervenção e prevenção do comportamento agressivo. É por esse motivo que a observação incessante e cuidadosa em conjunto com a direção escolar e familiar é importantíssima para a erradicação do bullying.

Enfim, utilizando essas estratégias é possível prevenir atitudes de conflito estudantil e também trabalhar valores como tolerância e a solidariedade. Assim, o educador exerce suas verdadeiras e nobres funções – que é de educar para o crescimento intelectual e ético dos seus alunos.

Referências Bibliográficas

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