domingo, 27 de novembro de 2016

O Legado de Fidel Castro



O Legado de Fidel Castro

Dennis de Oliveira Santos


Fidel Castro é uma figura política que deve ser compreendida de modo dialético. Existe nessa personalidade um misto de progressismo em avanços sociais conquistados com o emprego de métodos políticos que muitas distanciaram-se de uma vivencia democrática. Experiência política que deve ser criticada e revista. Para uma compreensão mais profunda deve-se abandonar os estereótipos de mocinho ou vilão criados tanto pela direita como pela esquerda.
Cuba deve ser entendida de modo equilibrado - não é um paraíso terral como aponta a extrema esquerda, assim como não é uma "África latino-americana" de desigualdade social como relata a mídia tradicional e os neoliberais. Dados da ONU e do Banco Mundial apontam que a ilha tem um dos melhores idh's da América Latina, um sistema de saúde bastante funcional (o qual inclusive envia médicos para várias partes do planeta), um sistema educacional com índices próximo a 0 % de analfabetismo e com baixos níveis de violência e desemprego entre seus cidadãos.
Ainda do ponto de vista social não pode ser esquecido que desde 1990 o país passa por uma grave recessão econômica. Problema que é devido a desestruturação de seu parceiro comercial (a União Soviética) e aos fortes entraves econômicos impostos pelos Estados Unidos. Sendo assim, para um habitante de um país capitalista é uma incógnita compreender que um cubano tem ótimos serviços públicos estatais ao mesmo tempo que sofre com o racionamento de certos alimentos e usa carros dos anos 1950. Como disse tudo deve ser ponderado, ressaltando avanços, mas também problemas quando se fala dos frutos da revolução cubana.
Em função desses avanços sociais existe tradicionalmente entre vários setores da esquerda uma indulgencia em relação ao governo castrista, o que impede de fazer uma crítica quanto aos métodos políticos para chegar a esses objetivos. Caminhos esses que muitas vezes estiveram em oposição a uma vida democrática. Para pensar isso empiricamente basta recordar a existência de vários presos políticos, a proibição de acesso as prisões locais a Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos e a inexistência de uma estrutura pluripartidária na região.
Obviamente não pode ser feita uma análise anacrônica dessa situação – deve-se entender que a revolução era guiada contra a forte dominação norte americana no país e na luta contra a ditadura de Fulgencio Batista. Num clima de Guerra Fria e na crítica a democracia burguesa do marxismo-leninismo, um conflito armado tinha “suas razões” num ambiente de injustiça social e totalitarismos que eram ambidestros ideologicamente falando. Mas isso não impede que passada algumas décadas seja feito uma crítica a esses métodos tendo em vista de que a democracia é um valor universal – tanto para liberais como socialistas. A ideia de revolução armada hoje não atende aos atuais problemas vividos no mundo e inclusive setores da esquerda abandonaram essa ideia a partir de uma perspectiva gramsciana de poder – apesar das deficiências da democracia representativa existe nela importantes canais (eleições, aparelhos culturais, movimentos sociais, etc) que partidos políticos podem utilizar para gradativamente diminuir as desigualdades sociais.
É fato que a extrema esquerda vê essa concepção como burguesa e até entra em confronto de ideias com o que ficou conhecido como “esquerda reformista”. Mas a realidade social é passível de mudanças, contradições e só uma visão dialética que adapte a todo instante seus métodos para compreender os problemas políticos que surgem torna-se uma concepção válida para enfrentar os desafios sociais. Sendo assim, uma esquerda ortodoxa, incapaz de uma autocrítica, que evita remodelar seus métodos e apega anacronicamente à certos modelos é tão infrutífera politicamente quanto a extrema direita.
Portanto, o cubano em discussão foi um agente político que combinou duas faces: importante líder político que libertou seu povo da miséria e subordinação estrangeira ao mesmo tempo que se desvencilhou de uma prática democrática. Vilão ou herói? Talvez tenha um pouco dos dois! Independente dessas capas ideológicas, Fidel Castro foi uma das figuras mais importantes do século XX ao demonstrar (apesar dos erros) que é possível combater a desigualdade social (um dos principais e urgentes problemas do mundo globalizado).



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A Vitória de Trump e a Ascenção Global de Governos Direitistas



A Vitória de Trump e a Ascensão Global de Governos Direitistas


Dennis de Oliveira Santos


A explicação da vitória de Trump e a guinada de governos direitistas mundialmente está atrelado a explicações populistas e de bodes expiatórios. Questões que bem manipuladas diante de uma crise global e do afastamento das esquerdas em atender as demandas populares tem alcançado seus objetivos. E isso é um processo histórico que se repete continuamente ao longo do século XX.
A ascensão de Hitler ao poder é o exemplo clássico desse processo. A Alemanha vivia um caos social, o qual era fruto da guerra dos mercados entre as potencias europeias e a sua derrota na Primeira Guerra. As causas do fracasso alemão eram complexas e estavam atreladas a esses fatores. Apesar disso, o autor do Mein Kampf soube se beneficiar dessa fragilidade social ao manipular as emoções coletivas sob a égide de um ensandecido nacionalismo. Ele atribuiu toda a instabilidade local a um bode expiatório, manipulação simplista que serviu como falsa explicação para o problema e gerou um clima de identificação nacional entre os germanos.
Esse bode expiatório eram os judeus habitantes daquele país. Como os alemães viam essa população bem-sucedida ao dominar bancos, comércios, propriedades rurais; identificaram na falácia nazista a lógica de que esses “estrangeiros” estavam tomando os espaços sociais dos nativos. O discurso básico fascista é elencar uma falsa explicação, um bode expiatório de fácil aceitação, fator que superficialmente faça sentido ao povo e o motive a tomar certos caminhos políticos.
Processo político semelhante é observável na vitória do estadunidense Trump. O flagelo social dos Estados Unidos tem como ponto de partida a crise imobiliária no ano de 2008 e ligada as ações do governo republicano de Bush. Entretanto, as consequências maiores foram vividas no governo Obama. Nesse ambiente, o democrata priorizou oferecer assistência aos mais humildes para amenizar os impactos sociais - criou programas de saúde para a população negra, procurou dá estabilidade de moradia aos imigrantes e etc.
Isso gerou uma revolta no seio da população branca e pobre - para esse setor era injusto dá benesses aos mais pobres enquanto eles perdiam seu poder de compra. É como se eles tivessem a sensação de estarem na fila do “sonho americano” enquanto negros e latinos furavam-na com apoio estatal; ganhando antes deles certas benesses. É dentro desse contexto que a ala republicana soube utilizar muito bem a explicação do bode expiatório - a crise existe porque Obama priorizou os negros, deu benefícios demais a eles, permitiu que os mexicanos fossem para o país e tomassem o emprego dos norte americanos. Uma explicação de apelo populista, muito superficial em identificar os reais motivos do crescimento da desigualdade social, mas suficientes para a identificação dos setores sociais menos favorecidos.
No Brasil se observa o mesmo fenômeno político, o país foi afetado pela crise global enquanto Temer utiliza o mesmo mecanismo explicativo ao elencar como a “caixa de pandora tupiniquim” os gastos sociais do PT com setores subalternos. Esse discurso foi responsável pela vitória de Macri na Argentina e tem enfraquecido o governo de Maduro na Venezuela.
Além desse processo acrescenta-se o fato de que as esquerdas se burocratizaram e hoje tem seus projetos políticos mais conhecidos pela classe média do que os próprios pobres. Isso é observável nos democratas a lá Clinton que geralmente pertencem as classes intermediárias nos Eua. O que também foi visto nas eleições municipais do Rio de Janeiro, cidade em que o PSOL teve uma votação mais expressiva entre universitários de melhor poder aquisitivo do que os jovens das favelas locais.

Percebe-se que a esquerda padece de um sólido sistema de comunicação que consiga penetrar nas demandas das classes subalternas. Qual é o resultado dessa condição social? Um contingente expressivo de pobres hoje órfãos de mudanças governamentais efetivas. O que dá margem a esse setor em se identificar com as explicações simplistas de partidos neoliberais. Um processo político observado nos Estados Unidos, América Latina e Europa através das urnas. 

domingo, 2 de outubro de 2016

A Fragilidade do Voto nas Eleições Municipais de 2016




A Fragilidade do Voto nas Eleições Municipais de 2016

Dennis de Oliveira Santos

Nas eleições municipais, as campanhas são uma junção de práticas políticas tradicionais ao uso de um intenso marketing televisivo. Tradicionalmente a ideia de um voto "ideológico", calcado no debate de ideias e nos posicionamentos partidários é substituída pela imagética exposição midiática que pragmaticamente eleva candidatos aos cargos de prefeitos.

No tocante a propaganda eleitoral gratuita, muitas vezes se percebe a ausência da coligação partidária de apoio aos candidatos e o nome do vice-prefeito nas exposições públicas das campanhas. Dentro desse ambiente é relevante ressaltar que o voto do "brasileiro médio" não é fruto da discussão de projetos ou alinhamento com posições partidárias.

Essa "nulidade" de valores partidários por parte do público votante é observável no primeiro turno dessas eleições em Santa Catarina, por exemplo, estado onde em mais de vinte cidades o PT apoia abertamente candidatos do PMDB. O que demonstra que a rivalidade nacional toma contornos muito específicos na esfera municipal. Acontecimento reeditado tomando eleições anteriores como referência. Nacionalmente os petistas apoiaram o partido de Temer em 648 municípios.

Essa política de alianças demonstra a fragilidade ideológica de nossas agremiações partidárias e a prevalência da mentalidade conservadora/patrimonialista de se estruturar o poder a partir de práticas clientelistas - inclusive um dos motivos que levou Dilma a ser deposta do poder. Ações estas que estão enraizadas no imaginário coletivo do nosso povo e seus respectivos representantes desde o século XIX, época em que apesar das divergências ideológicas e disputas políticas, os partidos simbolizavam a acomodação dos setores sociais abastados no centralismo político imperial.

Desde aquela época, longe de não se distinguirem em termos de composição e ideologia, os partidos políticos brasileiros se revelam como úteis instrumentos para atender as fissuras das elites, mesmo que elas fossem de natureza a provocar apenas reajustes no sistema sociopolítico do país. Fatos que se tornam evidentes hoje ao ver velhos caciques políticos como Acm Neto em Salvador voltando ao cargo público. Também representando essa visão tradicional de poder, o PMDB confirmou o mais do mesmo: o partido símbolo do fisiologismo demonstrou a sua supremacia nessa modalidade eleitoral, algo que acontece desde a primeira eleição após a Constituição de 1988.

Além dessas tradicionais práticas, o fator tempo de propagandas televisivas é determinante nos votos municipais. Diversos dados estatísticos e as discussões entre teóricos apontam para uma regularidade a cada eleição de que os candidatos que tiveram mais tempo de programa também foram os que ganharam mais intenções de voto. Na capital paulista, mesmo o empresário Doria (PSDB) ter sido candidato pela primeira vez, o mesmo conseguiu barrar a reeleição do petista Haddad. Com um exaustivo marketing político e com maior tempo de exposição na tv (3 minutos e 6 segundos do tucano contra 2 minutos e 35 segundos do atual prefeito - dados do Tre paulista) o PSDB ganha a prefeitura no primeiro turno.

Muito mais importante que entender os ganhos e refluxos dos partidos políticos é salutar refletir a partir desses aspectos como o nosso sistema eleitoral é fragilizado. E isso não se dá no aspecto institucional, mas sim na mentalidade do eleitorado, o qual sem uma sólida posição partidária ou identificação com programas governamentais vota induzido pelas pressões das pesquisas eleitorais e marketing político freneticamente utilizado na esfera pública.  

É o velho assunto da sociologia política brasileira: com uma sociedade civil distante de um profundo debate de ideias, com uma mídia unilateral politicamente e a ausência de legendas "ideologicamente" fortes não temos uma renovação política necessária para vencer as antigas práticas de domínio eleitoral. E mais, tudo isso demonstra como o brasileiro vota "mal" ao elencar fatores politicamente secundários como motivos para eleger os seus prefeitos. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Os Equívocos na Reforma Educacional do Governo Temer

                                            





 Os Equívocos na Reforma Educacional do Governo Temer

por Dennis de Oliveira Santos

O projeto de lei defendido pelo governo Temer, no qual se pensa em diminuir o número de disciplinas ofertadas no ensino médio e “enxuga-las” em grandes áreas é um retrocesso para o ensino público brasileiro. O primeiro equivoco que assinala isso é que essa intenção governamental fere os princípios constitucionais e os existentes na LDB (lei de diretrizes e bases da educação) sobre o tema. Isso porque os dois dispositivos jurídicos definem que as escolas no ensino médio devem ser integradas à educação profissional via uma leitura de mundo interdisciplinar nas diversas áreas do conhecimento.

De acordo com a Constituição e os mais modernos parâmetros pedagógicos sobre o assunto, o aluno deve, minimamente, ao final do ensino médio ser capaz de elaborar uma leitura das questões sociais ao seu redor ao mesmo tempo que saiba utilizar os conhecimentos das ciências exatas para compreender os fenômenos físicos e químicos do meio ambiente. É uma visão pluralista e integrada na qual o jovem tenha conhecimentos básicos nas várias áreas do saber para ser um cidadão atuante em sua sociedade e saiba compreender problemas de diversas “naturezas”.

Apesar disso, nessa reforma proposta, o aluno irá para o ensino superior com uma formação deficitária. Pois, se ele optar por estudar ciências humanas terá um grande desconhecimento das áreas de química e física, por exemplo. Optando pelas ciências exatas, não saberá fazer uma leitura de questões sociais em geral e como funciona as estruturas políticas.

A perda educacional é terrível, pois o projeto aí proposto se parece muito com o que foi praticado no início do século XX – época em que as pessoas eram meramente formadas para o mercado de trabalho, de forma tecnicista, com baixa capacidade crítica e de participação nos assuntos públicos importantes para o país. Se queremos uma sociedade cada vez mais democrática e participativa na “coisa pública”, vamos então justamente retirar os instrumentos necessários para isso? Esse projeto de lei quer instituir a educação enquanto mero preparo para o campo de trabalho e tirar da sociedade a possibilidade plural dela interpretar e compreender o mundo em diversas áreas do saber.

Esse modelo é inspirado nos Estados Unidos, o qual se sabe amplamente que é um sistema bastante ineficaz comparado com o europeu. O norte americano médio é extremamente atávico em relação ao mundo justamente por esse "enxugamento de matérias". A população norte americana tem grande dificuldade quando o assunto é entender as relações culturais fora de seu país – muitas vezes simplesmente desconhecem, reproduzem preconceitos sobre culturais alheias por desconhecimento das mesmas. É desse ambiente que se gera uma massa de manobra a qual aceita que seu governo estabeleca conflitos internacionais entre diversos povos.  

Os choques culturais como do Oriente Médio e guerras como a do Iraque nascem do desconhecimento dessas realidades sociais por parte dos filhos do Tio Sam. Se eles são pragmaticamente bem preparados para o campo de trabalho, o mesmo não acontece no tocante a cidadania e valores humanitários em geral. É necessária uma educação que equilibre essas duas facetas das necessidades humanas.

Outro equívoco levantado é o fato de que o adolescente está numa fase da vida que não tem maturidade suficiente para escolher disciplinas e curso de graduação, muitas vezes só escolhe o curso universitário quando encerra o ensino médio. Para que isso seja operacionalizado seria necessário que as instituições educacionais tivessem o apoio de psicólogos, os quais auxiliariam os jovens rumo a formação profissional. Em tempos políticos que o governo congela por anos os investimentos nas áreas públicas e repete um mantra neoliberal de corte com gastos sociais dificilmente esse suporte profissional será instituído pelo poder executivo.   

O ensino integral é de fato positivo, mas não há estrutura alguma em nossas escolas para efetivar esta ação. E mais, da forma que está sendo sugerido estas mudanças vão aprofundar o abismo entre ricos e pobres – será mais um instrumento para a perpetuação da desigualdade social. Pois hoje se sabe que adolescentes pobres usam o contra turno escolar para trabalharem (mesmo que de modo informal) para complementarem a renda familiar. Para enxergar isso mais de perto basta fazer um perfil dos alunos das escolas públicas durante o período noturno.


O que pode acontecer nesse contexto? Ao invés de ser elaborado um sistema de ensino que zele pela universalização desse direito fundamental, teremos um sistema com maior evasão escolar por parte das camadas mais baixas por questões financeiras. Enquanto do outro lado será perpetuado a lógica do “estudante profissional” - na qual adolescentes de classe média tendo todas as benesses de instituições privadas e dois turnos do dia para se dedicarem ao ensino continuarão ocupando as vagas dos cursos universitários que deveriam ser oferecidas aos mais humildes.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

As Relações Entre Indivíduo e Sociedade a partir das Teorias Sociológicas

(Resumos e notas de aulas acerca das teorias da sociologia clássica e contemporânea)

por Dennis de Oliveira Santos



1. O pensamento sociológico em todo o seu trajeto histórico preocupou-se em desenvolver matrizes de pensamento que com base empírica gerassem um modelo explicativo na compreensão de como a sociedade influencia o comportamento individual dos sujeitos, como também do modo contrário. Isso é perceptível tanto nas teorias clássicas (Marx, Durkheim e Weber), como também em sociólogos contemporâneos (Pierre Bourdieu e Norbert Elias).

2. Socialização é a assimilação de hábitos característicos do seu grupo social, todo o processo através do qual um indivíduo se torna membro funcional de uma comunidade, assimilando a cultura que lhe é própria. O processo de socialização inicia-se após o nascimento, e através, primeiramente, da família ou outros agentes próximos da escola, dos meios de comunicação de massas e dos grupos de referência.

3. De caráter privado – família De caráter público – escola, estado, cultura, religião, tribos urbanas, etc. De caráter público e privado – meios de comunicação (internet, jornais, televisão, rádio). Os comportamentos sociais são mutáveis, estão em constante transformação a todo instante.

4.  Análise das classes sociais: a divisão da sociedade em classes é uma decorrência de determinadas relações sociais de produção constituídas no nível da estrutura social.  Configuração básica das classes sociais: 1) proprietários dos meios de produção (burguesia) 2) Trabalhadores, não proprietários (proletários) O homem se distingue dos outros animais pela capacidade de organizar o seu trabalho (atividades).

5.  Marx aponta que o Estado surge na história como o resultado da divisão da sociedade em classes sociais.  O Estado surge como instituição que visa minimizar os conflitos de classe, mas no sistema capitalista acaba favorecendo a classe burguesa.  Os indivíduos devem ser compreendidos no contexto social da classe que eles estão interligados.

6.  Método de análise desenvolvido: parte da sociedade para os indivíduos sociedade preponderante e transcendente. FATO SOCIAL “toda maneira de agir fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando existência própria, independente de manifestações individuais”.

7.  Características dos fatos sociais: Exterioridade e coercitivos.  Primeiro conceito trabalhado por Durkheim é o conceito de consciência coletiva esta entendida como: “o conjunto das crenças dos sentimentos comuns à média dos membros de uma sociedade. Forma um sistema determinado, que tem vida própria.”

8.  A consciência individual é aquela que especifica os indivíduos uns em relação aos outros, são as características intrínsecas da personalidade individual.  A consciência coletiva só existe em função dos sentimentos e crenças presentes nas consciências individuais, mas se distingue, pelo menos analiticamente, destas últimas, pois evolui segundo suas próprias leis e não é apenas a expressão ou o efeito das consciências individuais

9. Psiqué (consciência individual) 9 Personalidade Idéias comuns a todas consciências individuais Consciência coletiva Social e Geral

10 Sociedade funcionando através de Leis e Regras pré- estabelecidas Problemas sociais Mudam de origem Econômica para Crise Moral Anomia Problemas sociais originados pela ausência de regras Organização social Normas

11.  Direito e sistema carcerário: sua função não é só punitiva, mas restitutiva, educacional.  O conceito de anomia expressa a crise, a perda de efetividade ou o desmoronamento das normas e dos valores vigentes em uma sociedade, como consequência do seu rápido e acelerado desenvolvimento econômico e de suas profundas alterações sociais que debilitam a consciência coletiva, entendida como uma espécie de poder regulador necessário que serve de moderador aos ilimitados apetites e expectativas individuais.

12. Objeto de análise: ação social: conduta a qual o próprio agente associa um sentido. É orientada pelo agente conforme a conduta de outros e que transcorre em consonância com isso.  implica alguma ação significativa visando outro indivíduo. Parte da análise do indivíduo para a sociedade.

13.  Tipos de ação social: 1) Ação tradicional: determinada por um costume ou hábito arraigado; 2) Ação afetiva: determinada por afetos ou estados sentimentais; 3) Ação racional com relação a valores: determinada pela crença consistente em um determinado valor considerado importante, independente do êxito deste na realidade; 4) Ação racional com relação a fins: determinada pelo cálculo racional que coloca os fins e organiza os meios necessários para a consecução deste fim.

14.  Marx: indivíduos inseridos em classes sociais, por um fator econômico.  Durkheim: o fundamental é a sociedade e a integração do indivíduos nela.  Weber: indivíduos e suas ações sociais são os elementos constitutivos da sociedade.

15.  Autores como Bourdieu e Elias, procuram analisar a relação indivíduo e sociedade, e procuram integrar ações e instituições fundamentais.

16.  O indivíduo e sociedade estão intimamente interligados, pois a existência e explicação de ambos só pode ser feita neste contexto.  Idéia de fluxo contínuo, que permite o entendimento dentro deste contexto e configuração.  No grupo social é assim: não há separação entre indivíduo e sociedade, tudo deve ser entendido de acordo com o contexto; caso contrário, perde-se a dinâmica da realidade e o poder de entendimento.

17.  Habitus, em Elias é segunda natureza, saber social incorporado durante nossa vida em sociedade.  O habitus liga o indivíduo a sociedade.  Ele se apresenta como (primário e secundário) – sendo que o primeiro é aprendido nos primeiros anos de vida e nunca é abandonado pelo indivíduo. Já o segundo são os valores que vai se adquirindo ao longo da vida e se mescla com o primeiro.


18.  Habitus é estruturado por meio das instituições sociais dos agentes (família e escola).  Habitus primário- mais duradouro, mas não congelado.  Habitus secundário- contato com pessoas de outros universos de vida. Não contrário,mas indissociável daquele.

sábado, 2 de julho de 2016

Breves Considerações Sobre Socialismo e Democracia no Governo de Salvador Allende



Breves Considerações Sobre Socialismo e Democracia no Governo de Salvador Allende

por Dennis de Oliveira Santos


Em tempos de confrontos políticos é sempre relevante reafirmar nossas próprias convicções. E para fazer isso lembro o nome da maior referência política a mim (ao lado de Leonel Brizola e Antônio Gramsci): falo de Salvador Allende. O que me chama atenção no presidente chileno é que seu governo demonstrou ser possível o vínculo entre socialismo e democracia, fato miticamente propagando como impossível por parte de setores conservadores (mas que não conhecem bem a história). Em seu país, o socialismo foi construído no respeito pelas liberdades democráticas, individuais, coletivas e aos preceitos constitucionais. Allende foi o primeiro presidente socialista eleito democraticamente. Ele foi um revolucionário atípico: acreditava na via eleitoral da democracia representativa e considerava ser possível instaurar o socialismo dentro do sistema político então vigente em seu país. Por isso digo que pode-se ir além do modelo das guerrilhas armadas e ditaduras ao instituir um sistema político em nome dos mais necessitados e obedecendo as características democráticas.


domingo, 15 de maio de 2016

O Impeachment da Presidente Dilma na Câmara dos Deputados

O Impeachment da Presidente Dilma na Câmara dos Deputados

por Dennis de Oliveira Santos

Acabo de chegar da Esplanada dos Ministérios desapontado com o resultado de um processo de deposição governamental que não seguiu os ritos democráticos legais e jurídicos, mas coerente com meus valores de justiça social. Não estava ali por uma mera disputa partidária (até porque não sou petista, sou de esquerda), mas sim por não compactuar com uma retórica evasiva e espúria que destituíram em tempos passados, governos que tinham projetos desenvolvimentistas e de correção das desigualdades sociais (nosso maior problema). Não queria me calar diante de um momento factício de nossa história e permitir o que houve com Goulart – presidente que trazendo ascensão as classes subalternas foi destituído a força e de forma irracional de seu poder legitimamente conquistado. Infelizmente o ciclo da história vai se repetindo, mais uma vez para conter os avanços da classe trabalhadora. Estava ali nessa noite, de vermelho, com a bandeira do país em nome dos negros que hoje estudam em universidades públicas, em nome dos índios que lutam pela posse de suas terras contra o agronegócio, em nome da população carente que hoje tem a sua casa própria, em nome da criação de universidades públicas e cursos técnicos para os jovens, em nome da soberania nacional contra o vil aniquilamento neoliberal de nossos serviços e riquezas públicas, em nome dos gays que hoje tem o direito de se casarem. E isso meus caros inimigos, não é uma mera posição ideológica fruto de um “esquerdopata”, mas sim um princípio da nossa própria Carta Magna, a qual tem o objetivo de construir uma sociedade civilizada, democrática e socialmente justa através da diminuição das desigualdades sociais e regionais. Direitos se inclui o máximo de pessoas, principalmente os marginalizados e não se exclui como muitos moralistas/conservadoras julgam com a “santa” benção de um Jesus que se existir deverá está com vergonha de seu nome excessivamente e indevidamente ter sido usado num espaço laico. Os oposicionistas dizem que após o impeachment, haverá uma trégua política. Difícil acreditar nessa possibilidade quando falta legitimidade aos que serão “eleitos” pela manobra, quando se sabe que o cancro corrupção emana em maior escala do nosso Poder Legislativo. As elites financeiras, políticas e midiáticas irão trabalhar para retirar vários direitos trabalhistas conquistados duramente no processo de redemocratização do país – empresas de telefonia minando o acesso a internet, flexibilização do trabalho, menos investimentos públicos em programas sociais, etc. A perda para o povo que se segue é bastante temerosa. Saio desse evento sabendo que a elite venceu, mas sereno e coerente ao saber que ”combati o bom combate” contra quem e aquilo que é contra o meu povo e país.